segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Quando é Racismo?


O que eu vou contar agora já aconteceu faz um tempo. Eu não pretendia contar para ninguém, mas acho bom que as pessoas reflitam sobre esse assunto que nunca sai de moda: Racismo.



Pra quem não sabe, eu sou branca, bem pálida mesmo. E amo minha cor.
Nesse dia, estava sol, calor. Eu estava com as pernas e braços à mostra, como a maioria das pessoas.
Então, eu peguei um ônibus do centro da cidade para o bairro da minha avó (um ônibus que não costumo pegar).
Quando entrei no ônibus, já ouvi um “nossa!” meio abafado. Foi a cobradora, que me olhou e virou o rosto. Até aí tudo bem.
Paguei a passagem, passei pela catraca. Então ela (a cobradora) virou para o lado do motorista e começou a falar coisas do tipo “Viu a menina? Parece uma lagartixa de tão branca! Uma pessoa dessa não pode nem ir para praia! Que coisa horrível!”
É. Em um tom terrivelmente pejorativo e maldoso mesmo. Ela não tinha percebido que eu havia sentado no banco ao lado dela e estava ouvindo tudo. E quando ela percebeu, fez a cara de “sem-graça” mais nítida que eu já vi na vida e ficou calada.

Sinceramente, tive que me segurar para não chorar. Não por ter sido chamada de tudo isso. Já fui chamada de coisas muito piores (e pela minha mãe).  E quem me conhece sabe que fico muito feliz em ser comparada à qualquer animal.
O que realmente me ofendeu, foi ver a face da hipocrisia. Explicarei.
O que teria acontecido se eu fosse negra e fosse comparada à um animal por causa da minha cor?
Eu poderia ir até a polícia, colocar esse caso na mídia e teria todo apoio.

Agora, uma branca que é chamada de lagartixa, provavelmente será tratada como uma “branquela de mimimi”. E por favor, não neguem.  Já vi casos como o meu e o resultado é sempre o mesmo.

Eu não quero me passar por coitada, não quero nenhum tipo de justiça. A culpa não foi dela. E nem minha, é claro.
quem cochicha, o rabo espicha.
 Acho que agora ficou mais claro o motivo por eu ficar feliz em ser comparada a animais. Uma lagartixa, nunca me chamaria de “humana”.

Nenhum comentário: